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CONHEÇA: Prisma Eu no Wattpad

Poucas histórias me tocaram como Prisma Eu foi capaz de fazer. Enquanto eu lia o conto, que não passa de 3 mil palavras, pude sentir todo tipo de emoção negativa: angústia, revolta, tristeza e o luto. E na metade da leitura, já estava chorando junto da personagem Maria das Dores… Ou, pela personagem Maria das Dores, já que desde o início ela é descrita como alguém que, de tanto sofrer, secou suas lágrimas como uma caixa d’água vazia.

Porém, não se engane… Maria não é a protagonista. E, sim, seu filho Miguel. Um jovem negro, morador de uma favela no Rio de Janeiro, que estava no lugar errado, na hora errada, com a cor de pele errada. Ele é apenas negro e pobre? Claro que não, ele é muito mais do que isso. Porém, essas são as duas únicas características que a polícia brasileira (ou de qualquer outro país, na verdade) parece enxergar. E, no final, a conclusão a que se chega é de que é a nossa sociedade que está toda errada.

Sinopse: Sempre há três visões da mesma questão. A sua verdade, a deles e os fatos. Complexo, as faixadas em tijolos crus não escondem a mancha do ricochetear das balas. O sangue pobre, do preto, esticado sobre o cinza do chão. A mídia conta, a mãe sussurra e a classe média grita: culpado, bandido, morto. 

Mas há partes da história que se mantêm no obscuro dos becos e vielas sem paz, fragmentos guardados somente nos corações do povo que não se ouve a voz. A visão, o tato, o cheiro, renegados a mais um moleque com sonhos de pipa avoada, perdidos entre os gritos da guerra mais silenciosa do Rio de Janeiro. Sente um pouco, tome um copo de suco e usufrua de estar vivo. Faça em memória de Miguel. Pelo Prisma dele. Teu. Eu.

Em uma narrativa poética, tocante e envolvente, a história se desenrola por três pontos de vistas diferentes: o da mãe de Miguel, o apresentado pela TV e o do próprio Miguel. As passagens são sutis e o texto inteiro parece se costurar de maneira fenomenal, deixando o leitor com a necessidade de prosseguir mesmo com a dor entalada na garganta. É preciso ouvir a história de Miguel e sua família, para honrar sua vivência e resistência. E, infelizmente, seu fim.

É trágico, é difícil de digerir, mas acima de tudo: é real. A denúncia à realidade de milhares de pessoas que moram nas favelas, ou são negras, diante da violência policial e o descaso da mídia é feita com maestria. E, honestamente, me deixa sem palavras; por isso, aqui, me desdobro para tentar mostrar o quão profundo e importante é esse conto.

Porém, creio que você só será capaz de absorver essa incrível crítica e infeliz experiência lendo por si. Eu diria que, mais do que uma recomendação, é uma história necessária para todos… Que ela alcance a mente e o coração de muitas pessoas, em memória de todos os Silvas que um dia se foram de maneira injusta e cruel.

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O Autor

Marina Feijóo

Marina Feijóo

22 anos, estudante de Ciências Sociais e escritora. Grande amante da literatura, se arrisca por entre letras e palavras desde que se entende por gente. Porém, só descobriu o Wattpad há menos de um ano, onde resolveu expôr suas obras depois de muito tempo de escrita solitária. Feminista e lésbica, busca unir o amor pela escrita com a paixão pelas causas sociais sempre trazendo reflexões sobre a sociedade em seus textos.

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