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Resenha – Sangue de baleia ( J.S.Albino)

O romance é um dos gêneros mais lidos em todo o mundo. Com finais felizes ou não, essas histórias conquistam leitores por onde passam. Por esse motivo, em alguns desses livros, acabamos encontrando histórias com personagens e enredos parecidos. O então famoso clichê persegue os autores e pode ser visto de forma positiva ou negativa por seus leitores. Porém, a escritora Jéssica.S. Albino conseguiu, em Sangue de Baleia, o seu livro de estreia, criar algo diferente de tudo que estamos acostumados a ler.

Antes de ler a resenha, confira a sinopse da história:

Sinopse: Laura é brasileira, filha de uma ex estilista norte americana e um homem muito humilde e simpático, dono de uma rede de meios de hospedagem nacional e ela é perdidamente apaixonada por animais marinhos e em especial por baleias.

Em Sangue de Baleia, Laura contará sua história a partir do momento que ela ganha sua sonhada bolsa de estudos no exterior e parte para sua vida.

Conhecer gente nova. Viver. Sonhar. Realizar sonhos. Descubra como qualquer coisa que consideramos banal em nosso cotidiano pode ser infinitamente especial.

Laura quer muito mostrar isso a você.”

Quando me referi a Sangue de baleia como algo diferente de tudo que já lemos, não quis dizer que os personagens, sentimentos, e situações tratadas no livro, são incomuns aos nossos olhos. Muito pelo contrário. A história de Laura acontece diariamente, porém, na maioria das vezes, acabamos por ignorá-la. E é nesse sentido que o livro se torna algo único. Sua leitura é tão leve e fluída que, quando a iniciamos, não conseguimos deixá-la de lado, então, em meio a história fictícia da personagem, passamos a observar melhor a realidade. E, ao ver melhor o mundo real, mergulhamos fundo nas emoções – que não são poucas – transmitidas através do livro.

Para aqueles que estão acostumados a ver uma certa padronização de protagonistas, a autora Jessica D.S. Albino conseguiu criar uma personagem forte e que foge desses conceitos. Isso é algo que podemos conferir logo no início do primeiro capítulo:

Não sei de onde veio esse hábito das crianças chamarem uma criança gorda de baleia. Não sei quem começou isso, mas causa muito mal para elas; só que isso me salvou.

Tudo começou no primário, quando minha gentil professora foi colar cartazes das letras do alfabeto na parede. Cada letra tinha um animal. Sendo assim, a letra B era baleia.

Foi aí que alguém gritou do fundo da sala.

– Olha, a Laura parece uma baleia!

A partir dai eu era a Laura, a baleia gorda da primeira série, mas eu não me ofendi, eu até achava o desenho bonitinho e gostava dele.

A professora castigou o aluno e trocou o cartaz por B de burro, mas o interior era mais bonito e eu gostava tanto dele que acabei pedindo ele para a professora e ela me deu. Desde aquele dia eu me apaixonei por baleias e não ficava nem um pouco ofendida quando diziam que eu parecia uma…”

Ainda criança, Laura nos dá uma difícil, mas importante lição: É possível transformar uma experiência negativa em algo positivo.

Conforme as páginas vão virando, mais conhecemos a personagem e, quanto mais a conhecemos, mais aprendemos com ela.

Quando se é gordinho criança, todos te acham uma fofura. Mas quando se cresce te acham um monstro e te cobram os padrões impostos pela sociedade: Um corpo magro e cheio de curvas. Mas eu nunca quis um corpo assim! E ninguém nunca me entendeu

As imperfeições são reais e temos que aceitá-las. Laura nos transmite isso ao narrar suas aventuras e desventuras. Como a maioria dos jovens considerados diferentes, ela sofreu no ensino médio e conheceu pessoas que lhe importunavam sem motivo algum

(…) Como todo inferno tem seu demônio, o meu se chamava Ana, que pegava no meu pé sem eu saber o porquê. Para ela, eu era um daqueles monstros que viviam em baixo da sua cama e vão te pegar quando você dormir. Mas que ideia! Eu provavelmente nem cabia embaixo da cama dela!”

O humor também conduz a leitura, o que a torna ainda mais fluida e agradável. Por diversas vezes me vi rindo sozinho e gesticulando com o livro em mãos. Porém, não se engane, pois a mesma capacidade que a autora tem de nos fazer rir, ela tem de nos fazer chorar.

Sangue de baleia é um livro valioso e sua história vai além das páginas contidas nele. É uma leitura obrigatória para aqueles que querem ver o mundo de maneira diferente.

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O Autor

Felipe Saraiça

Felipe Saraiça

Carioca, morador da zona oeste do Rio de janeiro, estudante jornalismo e autor dos livros "Palavras de rua" e "Para onde vão os suicidas?"

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